Papers

Andreia Yonashiro
(UFRJ, Brasil)

Gesto Topológico e outras cosmologias a partir da Coreotopologia

 

A Coreotopologia é uma proposição de Joana Lopes (2001, 2008, 2020) e, em linhas gerais, dá nome a uma aproximação entre a arte do movimento e alguns modelos e termos da física das partículas subatômicas e da matemática. Em parte, diz de uma revisão crítica da obra de Rudolf Laban. Em parte, diz da criação de discursos pedagógicos capazes de efetuar atos composicionais em dança. Nesse paper a noção de gesto topológico (Yonashiro, 2020) é elaborada a partir da Coreotopologia. Essa outra perspectiva de gesto possibilita reconhecermos outros tipos de relações entre dança e cosmologia. Algumas particularidades da obra de Rudolf Laban e da Coreotopologia serão aproximadas a dados etnográficos presentes na antropologia referente aos povos ameríndios das terras baixas, na qual a dança e outras cosmologias se fazem presentes (Gell 1985, Lima 2005, Beaudet 2017, Vilaça 2017).  Tal gesto possibilita a discussão de uma relação entre dança e antropofagia desde uma metafísica da predação (Viveiros de Castro, 2015), ao invés de pensá-la como metáfora cultural.

Carolina Navarro
(UFRJ, Brasil)

De 1922 a 2022:

a aplicação das tecnologias digitais modernas no Sistema

 

As Escalas Espaciais sugeridas por Laban favorecem uma ampla possibilidade prática para a experimentação do corpo no espaço a partir de diferentes percursos e dinâmicas. Este trabalho objetiva apresentar as iniciativas desenvolvidas no Museu Nacional da UFRJ no Laboratório de Processamento e Imagem Digital. Utilizando a tecnologia de Captura de Movimento, as etapas dessa pesquisa preveem o desenvolvimento de uma ferramenta educativa voltada para professores de Dança no ambiente de Realidade Virtual e a criação de uma obra coreográfica que retorne os registros virtuais das Escalas Espaciais para a cena. Acredita-se que os dados gerados por meio da Captura de Movimento possibilitam uma maneira diferente para a visualização dos gestos, inaugurando novas possibilidades de diálogos entre a Dança e outras áreas do conhecimento, bem como do corpo e o espaço.

Cláudio Marcelo Carneiro Leão Lacerda
(UFPE, Brasil)

Pontas Soltas do Modernismo

 

Propõe um exercício de pensamento, cuja base é de que o modernismo deixou algumas “pontas soltas”, seja considerando que não foi finalizado completamente ou realizado em sua potencialidade plena ou não reconhecido em sua pluralidade. Na primeira parte apresento oito pontos abarcando “pontas soltas”, sob pontos de vista variados: as influências modernistas de Malevich e Kandinsky na arquitetura de Zaha Hadid; a interrupção do trabalho de Laban na Alemanha em 1937, com seu exílio; a descontinuidade do ensino e prática do legado de Laban na Alemanha pós-Segunda Guerra e seu resgate na tanztheater; questionamentos relacionados à Semana de Arte de 1922; lutas de poder nos discursos sobre o modernismo, tendo como exemplo Banes e Greenberg nos EUA; reflexões sobre modernidade/modernização no Brasil; revisões críticas sobre a origem internacional do termo modernismo; comparação histórica de 100 anos nos contextos de pandemia e guerra. Na segunda parte exponho como tenho conectado algumas “pontas soltas” em minha prática na dança, com ênfase nas teorias de Laban e na influência pela arquitetura de Hadid.

Denise Mancebo Zenicola
(UFF, Brasil)

Zara Tempo

 

Propõe abordar algumas dimensões do princípio e conceito do fator Tempo na construção da Dança Moderna, para aprofundar o estudo sobre Dança. Para tal, considera o modernismo como ruptura e reestruturação, levado a cabo a partir dos anos 1920. O objetivo deste artigo é estabelecer uma reflexão decolonial em análise transcultural em diversidade de perspectivas. Logo, considera princípios e usos do conceito Tempo na dança e utiliza os conceitos: Bantu dos Bangdnga; iorubanos de Iroko, a árvore encantada; da passagem do Tempo ocidental Kronos; de Laban na relação entre energia, espaço e tempo. Nosso eixo de análise temática remete assim aos conceitos e processos de pesquisadores na relação espaço/tempo e apoia-se em teóricos como Fu-Kiau, Harvey, Laban, Martins, Mignolo, Newlove.

Guilherme Hinz
(Paris 8, França/Brasil)

Basil Easton e os Primeiros Passos da Labanotation/cinetografia Laban no Rio de Janeiro (1952-1971)

O objetivo desta comunicação é apresentar parte da minha pesquisa de doutorado, em andamento. A fim de compreender a construção do campo labaniano no Brasil, fui levado, no âmbito da minha tese, a realizar alguns estudos de caso sobre figuras que reclamavam uma herança labaniana. É sobre uma dessas figuras, bastante desconhecida para o campo labaniano contemporâneo, que gostaria de centrar a minha intervenção, dando uma grande atenção às dinâmicas de trocas que informam as transferências do pensamento de Laban no Brasil. Basil Easton (Dmitri), artista e pedagogo estado-unidense que se instala no Rio de Janeiro nos anos 1950, trabalhou por quase quatro décadas na difusão da cinetografia Laban/Labanotation. Nesta comunicação, através de análise documental e do cruzamento de arquivos, iremos nos interessar por algumas etapas e desafios de suas atividades de disseminação da notação de Laban no Brasil na segunda metade do século XX. Meu objetivo sendo também compartilhar as fontes com as quais trabalho, minha intervenção pretende-se ricamente ilustrada por fotos, matérias de jornal e trechos de correspondências.

Julia Coelho Franca
(UFRJ, Brasil)

Circularidades, revoluções e reviravoltas em torno de si e do outro: o pensar-agir do corpo circense sob o prisma labaniano

 

O paper tem como objetivo compartilhar alguns aspectos da pesquisa de doutorado, ainda em andamento (PPGArtes-UERJ), que têm se debruçado sobre possíveis análises do corpo circense sob o prisma da dança.  Propõe-se, assim, perguntar como perceber/ler os gestos dançados pelos circenses pode vir a abrir as possibilidades dos olhares lançados sobre as artes circenses?  Sob lentes labanianas, percebeu-se uma captura dos sentidos multifacetados dos corpos circenses, que podem instaurar um estado de “reviravolta”, como numa “volta sobre si”, encontrada em vários aprofundamentos do Sistema Laban/Bartenieff, e manifestando-se em suas 4 Categorias. Inspiradas no termo “revoluções corporais” (GUEST, 2011, 417- 429) estas “reviravoltas” conseguem entrar e sair de si do Corpo-Espaço (MIRANDA, 2008) em um só movimento. Numa prática interminável de revirar-se junto ao universo que o rodeia, entre inúmeros objetos, aparelhos e apetrechos específicos, seria demasiado pensar que a expressividade circense possui um dizer em si, uma dramaturgia própria que acompanha as transformações de seus saberes e que se constituem nos seus corpos em movimento?

Juliet Chambers-Coe
(Universidade de Essex, Inglaterra)

Legados Éticos do Sistema Laban/Bartenieff Movement - diferenças e semelhanças no uso da polaridade por Laban: uma provocação suave ao lidar com a precariedade social

Esta proposta para uma apresentação na conferência 22+100: Laban e o Projeto Modernista alinha-se com um dos objectivos da conferência de "apoiar perspectivas decoloniais nos estudos do movimento". Isto pode tomar o formato de uma apresentação tradicional, ou a minha preferência, um artigo em movimento onde os participantes são convidados e levados a mover as ideias em discussão, levantando ideias teóricas para fora da página e para dentro do corpo em atos de "pensar movendo" (Laban, 1980).

Letícia Nabuco
(Diversão e Arte, Brasil)

ESTADO DE PRAIA:

caminhos do corpo à cidade

Inspirado no Manifesto Pau Brasil, PRAIA propõe uma intervenção urbana que  instaure uma praia no centro comercial da cidade de Juiz de Fora/MG. Considerando a  influência que as cidades litorâneas operam no imaginário social e no campo dos desejos  de sua população, o projeto foi desenvolvido através de edital comemorativo à Semana  de 22 e teve sua estreia em fevereiro desse ano. Causou verdadeira comoção na cidade e  para além dela, envolvendo mídia, disputas na macropolítica, conversas cotidianas e nas  redes sociais, culminando na proibição de sua segunda apresentação, que terminou por  acontecer a partir de mobilização popular em que centenas de pessoas ocuparam as ruas  da cidade em trajes de banho exibindo e celebrando seus corpos. Todas as fases desse processo foram conduzidas com os artistas selecionados a partir de abordagem somática  baseada nos princípios dos Bartenieff Fundamentals, buscando suporte para performar  situações cênicas baseadas na exploração de variações entre os Estados Remoto e Móvel e mudanças de Forma em Shape-Flow, criando o que chamamos de Estado de Praia.

Luize Helena da Silva Pessanha
(CIEMH2 Núcleo Cultural, Brasil)

Impulso, pulsar, improvisar

 

Ao longo dos anos de estudo técnico em Dança entendi, a partir do meu corpo, a importância do movimento codificado e através da vivência com diversas técnicas, como o Ballet Clássico e a Dança Moderna. No entanto, ao conhecer as teorias desenvolvidas por Rudolf Laban compreendi a relevância do aprendizado da Dança a partir dos fundamentos da Teoria dos Esforços e das Harmonias Espaciais. Através da metodologia concebida por Laban, o bailarino mergulha em si mesmo para desenvolver o movimento não codificado, então, ao aprofundar as minhas pesquisas na herança que ele deixou para a Dança, identifiquei o caminho para distender esta habilidade para que os meus alunos pudessem ter uma formação em dança que fosse complementar. Então, elaborei um curso, que a princípio foi nomeado Improvisar e posteriormente passou a ser chamado de Impulso, pulsar e improvisar, com o objetivo principal de fomentar a expressividade dos bailarinos além dos movimentos codificados ao dançar por meio do estudo dos fundamentos das teorias de Laban.

Marta Scarpato
(UNIP, Brasil)

Expressividade do professor e os fatores de movimento no processo de ensino-aprendizagem

O presente trabalho tem por objetivo apresentar reflexões sobre as possíveis inter-relações entre  a expressividade do professor e os fatores de movimento estudados por Laban a fim de propor apontamentos sobre a ação pedagógica dos professores no processo de ensino-aprendizagem com o intuito de  salientar  uma educação integral e integrada entre  todos os atores: professor e alunos.

Thaisa Martins Coelho dos Santos
(UFRJ, Brasil)

Arqueocoreologia: Debates sobre auto-apagamento da dança, notação e autonomia

No presente Paper, apresentaremos a disciplina Arqueocoreologia, através de um fazer transdisciplinar entre os campos da Dança e Arqueologia embasados em autores como Preston-Dunlop, Royo, Shanks e Pearson. Refletiremos sobre a materialidade na Dança, apresentando um debate sobre a defesa do auto-apagamento da dança e como isso afeta no avanço das discussões sobre notação, documentação e autonomia do campo acadêmico da Dança.

Rosane Campello, Luciana Carnout e Helena Bevilaqua
(Cia Adolpho Bloch, Brasil)

Face em ondas que se propagam…

O trabalho realizado na Companhia de Atores Bailarinos Adolpho Bloch desde 1999, dentro da Escola Técnica Estadual Adolpho Bloch, une o campo labaniano à Metodologia Dança Significativa (MDS), idealizada pela Mestra Rosane Campello, fundamentada na teoria de aprendizagem significativa do psicopedagogo David Ausubel. A MDS acredita que para uma aprendizagem significativa em dança os conteúdos presentes nas aulas devem fazer sentido para o aluno, associados a vivências anteriores, por meio de fatos, objetos, imagens, memórias e alimentados com novos saberes para que possam assentar o que já trazem de conhecimento e assim aprender com autonomia dentro do coletivo. Essa busca por estimular o autoconhecimento a partir do corpo como um campo protagonista do saber em relação ao espaço, às pessoas ao redor e aos motes de vida se conectam diretamente aos princípios do Sistema Laban Bartenieff. A trajetória da companhia com esses pilares de saber foi ganhando forma, alcançando cada vez mais alunos interessados em seguir no campo da dança, diversos espetáculos foram criados, repercutidos, apresentados em grandes espaços culturais do Rio de Janeiro e assim Rosane Campello teve a ideia de ampliar o lugar de formação da companhia e implementou dentro da FAETEC o Curso Técnico em Dança, é o primeiro curso com matriz curricular integrado da América Latina. Os componentes de Dança Contemporânea e Consciência Corporal trazem fundamentos do Sistema Laban/ Bartenieff, e nesses 11 anos de existência tem fomentado a produção em dança carioca, com vários profissionais oriundos do curso técnico e da companhia que buscam a formação continuada e se inserem no mercado de trabalho.

Sandra Sok
(UPPU-PULS/HUP-SUP, Croácia)

Abordagens somáticas e filosóficas em torno do fluxo encorpado em movimento e fenomenologia no pensamento em aprendizagem experimental e movimento contemporâneo usando conceitos básicos de análise do movimento Laban e fundamentos de Bartenieff

Esta comunicação explora o fluxo corporificado em movimento e as viagens somáticas do ego, do Self e da liberdade de pensar corpo em movimento e expressão fluida do movimento, desenvolvendo a consciência da mente e activando o pensamento encorpado e aceitando a vulnerabilidade, igualdade e diversidade através da escuta e observação como um instrumento principal para encorajar o movimento. Estes movimentos têm a sua própria inspiração, descobertas e caminho. A minha filosofia e movimentos fluidos encorpados abrangem temas em teoria da percepção e estética combinando abordagens metodológicas da experiência de vida, metafísica moderna, fenomenologia, somática, meditação, budismo e filosofia indiana. Descrevendo o movimento através dos conceitos e terminologia da LMA/Bartenieff, envolvemo-nos em experiências que nos levam a refletir o que realmente significa estar no corpo vivo e a aumentar a consciência das nossas 'identidades em movimento'. O envolvimento nesse tipo de linguagem do movimento introduz-nos com uma interação viva e íntima com o corpo e os seus membros, ambiente, aspectos emocionais, sociais e históricos do eu e do público, o que produz uma expressão dinâmica contínua do movimento de todo o corpo.

Sandra Adiarte
(SRH School, Heidelberg; 
HWR School, Berlin, Germany)

“Quem é mau?” Observação para a conclusão de caso.

Uma observação estruturada é parte profunda da avaliação forense e científica. Neste contexto, a análise estruturada de movimento, padrões de movimento e comportamento, nem tanto. Embora a coleta e uso de dados de vídeo sejam comuns entre usuários de mídia social, ainda é um tópico bem pesquisado quando se trata de investigação criminal, análises sobre modus operandi, bem como no policiamento e aplicação da lei. Apesar da crescente automatização do processamento e análise de dados, o fator humano continua sendo uma parte crucial nos procedimentos investigativos e a necessidade de treinar pessoal em observação nunca foi tão evidente.

 

Enquanto a maior parte da Europa ainda está se acostumando com a ideia de usar sistemas de vigilância e câmeras corporais regularmente para questões de segurança e policiamento, outros países vêm explorando e usando imagens de vídeo para esses fins há mais de 8 décadas. Em tempos de espaços virtuais inseguros e instáveis, a capacidade de identificar ameaças e diferenciar amigos de inimigos é crucial. Esta é uma necessidade que compartilhamos com indivíduos que pensam da mesma forma em todo o mundo. Laban Movement Analysis, Laban/Bartenieff Movement Studies e sistemas de observação comparáveis ​​possuem a sistemática, teorias e terminologia para descrever e avaliar o movimento em contextos complexos. Possíveis aplicações e limitações são discutidas.

Comitê Científico

Dra. Agatha Oliveira (UFRJ/Especialista em Laban/Bartenieff)

Ms. Ana Bevilaqua (FAV/CMA)

Ms. Adriana Bonfatti (Unirio/CMA)

Dra. Billie Lepczyk (Virginia Tech/CMA)

Dr. Cláudio Lacerda (UFPE/CMA)

Dra. Isabel Marques (PHD Laban Centre London/Caleidos)

Dra. Flávia Valle (UFRGS/CMA)

Dra. Lígia Tourinho (UFRJ/CMA)

Dra. Marisa Lambert (Unicamp/CMA)

Ms. Regina Miranda (Centro Laban Rio/CMA)

 

Inscrições nos Workshops

As inscrições para os workshops são reservadas para participantes e ouvintes da Conferência e serão feitas no local por ocasião do Credenciamento.

Workshops

Alison Curtis-Jones
(Trinity Laban, Reino Unido)

Organismo e Fratura

 

Este workshop explora o Ritmo e o Esforço, suas afinidades com o tempo e o espaço através da compreensão corporizada de princípios harmónicos. A exploração inclui a ruptura dos princípios para se envolverem com possibilidades criativas de frases dinâmicas de movimento. Trabalharemos através de tarefas colaborativas, explorando frases rítmicas métricas e arbitrárias, incorporando as mudanças de intenção e expressividade que resultam na coesão individual e de grupo.

Andreia Yonashiro
(UFRJ, Brasil)

Repetição e Transformação: a Noção do Gesto Topológico a partir da Coreotopologia

 

A Coreotopologia é uma proposição de Joana Lopes (2001, 2008, 2020) e, em linhas gerais, dá nome a uma aproximação entre a arte do movimento e alguns modelos e termos da física das partículas subatômicas e da matemática. Em parte, diz de uma revisão crítica da obra de Rudolf Laban. Em parte, diz da criação de discursos pedagógicos capazes de efetuar atos composicionais em dança. Nesse workshop a noção de gesto topológico (Yonashiro, 2020) será praticada a partir da Coreotopologia. Alguns protocolos cinesiológicos serão ensinados, como o Gesto Relacional Ampliado (GERA). A repetição e transformação topológicas serão pensadas numa aproximação entre exemplos de dançares advindos do corpus labaniano, da Coreotopologia e de dados etnográficos presentes na antropologia referente aos povos ameríndios das terras baixas, na qual a dança e outras cosmologias se fazem presentes (Gell 1985, Lima 2005, Beaudet 2017, Vilaça 2017). Tal gesto possibilita a discussão de uma relação entre dança e antropofagia desde uma metafísica da predação (Viveiros de Castro, 2015), ao invés de pensá-la como metáfora cultural.

[cancelado]
Anneliese Monika Koch
(Vis a Vis Tanztheatre, Austria)

Dramaturgia via Corpo

Este laboratório de performance centrado na investigação coreográfica baseada em práticas do Teatro de Dança Vis a Vis oferece uma oportunidade aos jovens performers para o auto crescimento e um intenso desafio físico. O trabalho irá incluir abordagens contemporâneas à prática do movimento com base labaniana e o seu valor como ferramenta criativa de Formação e Educação de Artistas Performing.

 

Da Improvisação à Composição: Ritmos da Mente consciente e inconsciente

 

Ser capaz de se mover é ser capaz de improvisar. No momento da improvisação, esquecemo-nos de tudo tal como as crianças absorvidas no jogo, explorando infinitas e extraordinárias possibilidades através dos ritmos da emoção humana em contacto com os outros. Como pode ser poderoso testemunhar uma coreografia a nascer diante dos nossos olhos, tal como num Concerto de Jazz. Já não somos observadores de algum tipo de vida congelada. Tornamo-nos parte de uma experiência que é a vida. A vida não pode ser repetida. Exige uma atenção constante ao movimento constante. O workshop irá introduzir abordagens à Improvisação como uma ferramenta criativa na Performance enraizada nas Práticas de Vis a Vis Tanztheater. A ênfase será colocada no diálogo rítmico entre o intérprete e o realizador sob a forma de ensaio conduzido. Este workshop foi concebido para um mínimo de 6 intérpretes físicos (nível aberto) Duração: pode ser organizado (de um 90 minutos a 3 dias).

Bala Sarasvati
(University of Georgia, Estados Unidos)

Identificação e Aplicação da LMA/BF às Técnicas de Dança Contemporânea

 

Neste workshop, iremos explorar o processo criativo dentro do ambiente de aulas de dança moderna contemporânea. Isto incluirá processos de movimento que envolvam a liberação, movimentação na onda de impulso, a queda livre; e atividades tridimensionais tais como looping, sequenciamento, e espirais enquanto se regeneram as linhas internas de energia. A correlação de todos estes aspectos dinâmicos, agora considerados centrais para o gênero de dança moderna contemporânea em geral, será explorada através de mudanças de nível, curtas sequências de parceria, ao mover-se pelo espaço e durante a paragem. O núcleo essencial desta experiência é acessar e aprofundar ainda mais as conexões internas do corpo; e despertar sensações de movimento para criar movimento, momentum e expressão. Enquanto o cultivo da arte e a estimulação do processo criativo no regime técnico diário podem ser fortemente reforçados através de uma consciência anatômica, sensorial, cinética, sustentar uma natureza inquisitiva e uma paixão pura pelo movimento e movimento é essencial. Enquanto exploramos processos de movimento simples e sofisticados, refletiremos também a memória do nosso corpo de momentos individuais significativos de liberdade. Quando é que nos sentimos mais vivos através de canais abertos de fluxo de energia? Como aplicamos o LMA/BF à prática de habilidades técnicas e melhoramos as nossas abordagens criativas ao fazê-lo?

Darren Royston
(Laban Guild International, Reino Unido)

"No ponto de paragem": O Ator em Movimento no Drama Modernista

Em 1922, T.S. Eliot publicou THE WASTE LAND, que marcou o poeta como um dos principais artistas do Movimento Modernista. Este workshop irá utilizar o verso dramático modernista de Eliot como material textual para explorar a abordagem modernista de Laban ao Tempo como um Factor de Movimento em performance dramática. As ideias de movimento de Rudolf Laban para o palco se conectaram à evolução do drama modernista, particularmente nas mudanças de como o elemento do tempo foi transmitido na performance devido a mudanças na velocidade do mundo moderno. A sensação física do tempo do indivíduo foi alterada por coisas tais como: novos modos de transporte; a comunicação da sensação de se mover pelo espaço a diferentes velocidades; e a ideia de que o futuro parecia chegar a um ritmo mais rápido. A exploração de Laban em ritmo espacial no desempenho desafiou a noção mecânica métrica estabelecida de tempo como uma unidade fixa medida. Ele encorajou uma liberdade de expressão com uma consciência do contínuo dinâmico das sensações, cuja percepção é fenomenologicamente experimentada como "sentimento interior". Isto tem ligações diretas com a representação teatral modernista no drama como uma "expressão exterior". Neste workshop, o ator-dançarino será guiado através de uma exploração do texto dramático modernista informado pelo Factor do Movimento do Tempo, sendo constantemente solicitado a "torná-lo novo" à medida que os momentos são dados em conjunto corpo e voz. Em termos simples, aspiraremos à máxima de Hamlet de Shakespeare: "Adequar a ação à palavra, a palavra à ação", considerando ao mesmo tempo a qualidade efêmera dos traços rítmicos no espaço de atuação transitória.

Isabella Duvivier
(FAV, Brasil)

Romantisches Tanztheater Bartenieff: Acervo e História

 

O workshop propõe apresentar a pesquisa sobre o percurso de Irmgard Bartenieff como intérprete coreógrafa na companhia Romantische Tanztheater Barténieff, fundada com o seu companheiro bailarino, Michail Bartenieff em 1933, e  sua escola popular comunitária de dança, Volkshochschule Stuttgart. Durante a aula vamos contemplar e conversar, a partir da exposição do acervo digital disponível, pertencente às Coleções Especiais em Artes Cênicas (SCPA), localizadas na Biblioteca de Artes Cênicas Michelle Smith no campus College Park da Universidade de Maryland, aos cuidados da professora doutora Susan L. Wiesner. Junto a isso apresentaremos uma reflexão política e social, a respeito do Movimento Tanztheater, partindo de Bartenieff e sua relação inovadora com as danças populares camponesas, e a retomada da nomenclatura Tanztheater por Hans Weidt e pelo coreógrafo Tom Schilling, no Komische Oper de Berlim, na República Democrática Alemã (RDA) em 1966.

JoAnna Mendl Shaw
(The Equus Project, Estado Unidos)

Escuta Física e Investigações Interespécies

Neste workshop, levarei as minhas lentes equinas para a investigação em estúdio, ajudando a pessoas que ministram workshops a explorar a sua própria capacidade para uma maior variedade de comunicação sensível e expressiva - ambos ao serviço de uma parceria eficaz. Estou interessada em: Como esclarecer a MINHA PERGUNTA, usando um esforço de peso atencioso, escolhendo peso e sondagens indiretas gentis podem servir como ferramentas eficazes de parceria. Estes esforços são elementos essenciais de comunicação humana compassiva e eficaz nas nossas vidas em movimento, bem como na nossa língua falada.

Frederick Curry

Identidade do Professor e Laban/Bartenieff

Nesse workshop, através de diálogos e reflexão, os participantes irão examinar o papel e a posicionalidade interseccional do professor em aulas onde o foco está em facilitar o conteúdo de aprendizagem Laban/Bartenieff.

Mônica Emilio
(UFRJ, Brasil)

Corpo-Imagem: espaço sensível de criação

 

O workshop Corpo-imagem: espaço sensível de criação visa oferecer um  ambiente de experimentação do corpo em movimento sob a perspectiva da  imaginação encarnada. Um corpo afetado e atualizado pelas relações que  estabelece com o mundo. O trabalho busca sensibilizar os corpos pela  imaginação, favorecendo o despertar perceptivo e conectivo, e a livre  manifestação do movimento expressivo. A prática destaca aspectos também  defendidos por Laban, como o valor atribuído: ao engajamento do artista com o próprio movimento; à percepção dos estados de corpo e da atividade interna relacionada as ações; e à imaginação como um dos elementos constituintes do corpo, portanto, envolvido com o mover. Para esta proposta de trabalho com a imaginação, a teoria de esforço de Laban teve papel  significativo para a construção de um caminho metodológico. As teorias de Laban/Bartenieff atravessam as minhas práticas como artista, docente e  pesquisadora como conhecimentos construídos no corpo pelas experiências.  E orientam um fazer-pensar do corpo em movimento com liberdade e autonomia.

Sandra Sok, Zangreb
(UPPU-PULS/HUP-SUP, Croácia)

Fluxo encorpado em movimento

Este estudo explora o fluxo corporificado em movimento e as viagens somáticas do ego, do Self e da liberdade de pensar corpo em movimento e expressão fluida do movimento, desenvolvendo a consciência mental e ativando o pensamento encorpado e aceitando a vulnerabilidade, a igualdade e a diversidade através da escuta e da observação como um instrumento principal para encorajar o movimento. Estes movimentos têm a sua própria inspiração, descobertas e caminho. A minha filosofia e movimentos fluidos encorpados abrangem temas em teoria da percepção e estética combinando abordagens metodológicas da experiência de vida, metafísica moderna, fenomenologia, somática, meditação, budismo e filosofia indiana. Descrevendo movimento através dos conceitos e terminologia da LMA/Bartenieff, envolvo-me em experiências que nos levam a refletir o que realmente significa estar no corpo vivido e a aumentar a consciência das nossas "identidades em movimento". O envolvimento nesse tipo de linguagem do movimento introduz-nos com uma interação viva e íntima com o corpo e os seus membros, ambiente, aspectos emocionais, sociais e históricos de mim próprio e do público, o que produz uma expressão dinâmica contínua do movimento de todo o corpo.

CONFERENCE LABAN RIO 2022