A Conferência LABAN 2022, que acontecerá no Rio de Janeiro na Casa França-Brasil, entre 22 e 25 de Junho, convida pessoas artistas-pesquisadoras a refletir sobre a relação entre o Modernismo e os princípios de arte e movimento de Rudolf Laban e a discutir os diferentes caminhos que o atual Campo Labaniano tem trilhado, seja incorporando ou contrariando parâmetros do Modernismo. 

 

Enquanto alguns desses parâmetros são culturalmente específicos, outros, como a ruptura com padrões tradicionais, a luta pela liberdade de expressão artística, pensamentos políticos e sociais expressos publicamente em obras de arte e a visibilidade das mulheres nas artes e na política, são comuns para muitos países e podem ser caminhos interessantes para a investigação acadêmica/artística.

 

Esperamos ter a alegria de dar as boas vindas a todes e contar com suas contribuições como pessoas artistas / pesquisadoras relacionadas ao Campo Labaniano internacional!

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Tema da Conferência

O título 22+100: Laban e o Projeto Modernista faz referência à Semana Brasileira de Arte Moderna de 1922, festival cultural realizado no Teatro Municipal da Cidade de São Paulo, em fevereiro de 1922, como percebida 100 anos depois.

 

A "Semana', que apresentou mais de cem novas obras de arte, tornou-se o marco simbólico do movimento modernista no Brasil e suas repercussões artísticas ainda reverberam atualmente. No entanto, sem negar sua importância, estudos atuais questionam por que algumas pessoas artistas pioneiras não foram incluídas e por que a dança foi praticamente ignorada na ocasião.

 

22+100: Laban e o Projeto Modernista se interessa principalmente em investigar como os parâmetros modernistas influenciaram as artes da cena no Brasil e em todo o mundo e se/como continuam a inspirar pessoas artistas-pesquisadoras a experimentar novas ideias. 



Esperamos ter o prazer de sua participação!

A Dança Moderna e a influência de Laban 

no cenário da Dança Contemporânea

e da Arte Performática

Desenvolvida nas primeiras décadas do século XX, a dança moderna assemelhava-se às artes visuais, à música e à literatura modernas por seu caráter experimental e iconoclasta. Isadora Duncan, Loie Fuller, Ruth Saint Denis e Ted Shawn nos Estados Unidos, e Rudolf Laban e Mary Wigman, na Alemanha, com inegável pioneirismo, rebelaram-se contra o formalismo tradicional e procuraram inspirar o público a tornar-se consciente dos trânsitos internos-externos incorporados na dança.

 

Entre essas pessoas, possivelmente Rudolf Laban tenha a influência mais vasta, já que ela se estende para vários campos além das artes da cena. Suas colaborações artísticas com artistas dadaístas do Cabaret Voltaire de Zurique, os ecológicos Programas de Verão que conduziu em Monte Verita e a escola de movimento que fundou em Munique, em 1910, onde orientou Mary Wigman, ícone da dança expressionista alemã, lhe conferiram a designação de “Pai da Dança Moderna Alemã”. Por sua vez, o complexo sistema de movimento que criou e desenvolveu ao longo de sua vida - Sistema Laban - tem permanecido relevante através dos estudos realizados por profissionais do Campo Labaniano e pelas 'atualizações' que intensificam a plasticidade do Sistema.

CONFERENCE LABAN RIO 2022
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O 'Manifesto' Modernista

como Suporte Decolonial

CONFERENCE LABAN RIO 2022

O movimento modernista brasileiro ganhou mais força com o Manifesto Antropofágico, escrito pelo poeta Oswald de Andrade, em 1928. Seu uso metafórico do termo indicava uma associação cultural com o processo de comer, assimilar e regurgitar um elemento transfigurado. Para artistas das artes plásticas, música, literatura, dança e performance, que abraçaram a filosofia do 'Manifesto', significou a criação de obras únicas, libertas das restrições do formalismo europeu, sem deixar de reconhecer sua inspiração vanguardista.

 

Estendendo este conceito-chave que, em nossa percepção, pode sustentar perspectivas decoloniais nos estudos do movimento, a conferência convida participantes a refletir sobre os processos de reinterpretação das teorias de Laban, que mantêm uma forte relação com os textos fundadores, ao mesmo tempo em que conferem uma assinatura atual e indicam expressões de múltiplas culturas.

 

Regina Miranda & Ligia Tourinho

Organizadoras

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